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Ponte JK – Brasília (DF)

AMBIENTE MERCADOLÓGICO

  • Humano
  • Manufaturado
  • Financeiro
  • Intelectual
Em 2015, os Bancos atuaram em um cenário nacional de retração do PIB e da demanda por crédito. Assim, visaram ao alongamento de suas captações para fazer frente ao crescimento de financiamentos com prazos mais estendidos

Cenário econômico

A atividade econômica global de 2015 manteve-se em evolução, porém, em ritmo menos acelerado e homogêneo. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos permaneceu no mesmo patamar do ano anterior, 2,4%, e o da China caiu de 7,3% para 6,9% na mesma comparação. Um dos fatores que explicam essa desaceleração da economia mundial é a contribuição negativa dos setores externos norte-americano e chinês para a evolução do PIB mundial, impulsionada pela valorização da moeda dessas economias e a queda do preço do petróleo.

Para os países emergentes e em desenvolvimento, o ano foi marcado principalmente por dificuldades relacionadas à queda no preço das commodities, à elevação das taxas de juros dos EUA e à perda de confiança. Esses fatores contribuíram para a redução do ritmo de crescimento.

No caso da economia brasileira, o PIB caiu 4% em 2015, estimulado pela conjuntura internacional pouco favorável e, principalmente, por dificuldades internas, como inflação em alta e deterioração do mercado de trabalho, além de problemas nos quadros fiscais e instabilidade política.

  • A inflação medida pelo índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou os 12 meses de 2015 com alta acumulada de 10,67%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. A taxa é a maior desde 2002, quando atingiu 12,53%. Em 2014, o IPCA fechou em 6,41%.
  • Para controlar a inflação, o Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 2,5 pontos percentuais em relação a 2014, para 14,25% ao ano, chegando ao maior patamar em nove anos.
  • O Brasil chegou ao fim de 2015 com 9,1 milhões de desempregados, o que elevou a taxa de desemprego para 8,5%, na média. O indicador ficou 1,7 ponto percentual acima da média de 2014 (6,8%), configurando o pior resultado dos últimos quatro anos.
  • A balança comercial fechou 2015 com US$ 191,13 bilhões em exportações (queda de 15% sobre 2014) e as importações somaram US$ 171,46 bilhões no ano (queda de 25% em relação ao ano anterior). Entre os fatores que influenciaram no desempenho da balança comercial está a queda dos preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro, alimentos e petróleo).

Conforme a nova etapa do plano de concessões em infraestrutura, anunciada em 2015, o setor de transportes no Brasil vai receber entre 2015 e 2018 um investimento de R$ 198,4 bilhões para modernizar aeroportos, rodovias, ferrovias e portos. Neste plano, as ferrovias receberão maior investimento, de R$ 86,4 bilhões. Entre 2010 e 2014, a média da taxa de investimento em infraestrutura no Brasil foi de 20,3% do PIB.

Crédito

Em 2015, as condições de crédito refletiram o ambiente econômico. O saldo das operações de crédito total cresceu 6,6%, fechando o ano em R$ 3,216 trilhões, o que correspondeu a 54,2% do PIB. No fim de 2014, essa relação havia ficado em 53,1%.

Por segmento, o saldo do crédito livre atingiu R$ 1,635 trilhão em 2015, com crescimento de 3,7% sobre 2014, ao passo que o crédito direcionado atingiu R$ 1,582 trilhão, com crescimento de 9,8%, na mesma comparação.

Por modalidade e ainda em relação ao ano anterior, o saldo do crédito para pessoa física atingiu R$ 1,510 trilhão (+6,9%) e o saldo para pessoa jurídica chegou a R$ 1,707 trilhão (+6,3%). Essa redução da demanda de crédito no Brasil em 2015 teve como principais fatores a alta da inflação, a escalada das taxas de juros e do custo do crédito e o grau reduzido dos índices de confiança.

Juros e spreads

A taxa de juros das operações (recursos livres e direcionados) atingiu 29,8% ao ano em dezembro, elevação de 6,1 pontos percentuais na comparação com o fim de 2014. Entre as modalidades, o maior aumento ocorreu no crédito livre, cuja taxa de juros ficou em 47,3% ao ano (+10 p.p.), e nas contratações com pessoas físicas, que evoluíram para 37,9% ao ano (+7,2 p.p. em relação a 2014).

Tanto a taxa de captação de crédito quanto os spreads do sistema financeiro subiram nesse período: 2,3 e 3,8 pontos percentuais, alcançando 11,1% e 18,7% ao ano, respectivamente. Entre os fatores que explicam esse comportamento estão o maior custo de captação, o aumento do risco (relacionado, por sua vez, ao aumento da inadimplência e do comprometimento da renda do consumidor) e a elevada inflação. Se por um lado as condições de crédito menos favoráveis possam ter dificultado o crescimento econômico, por outro o crédito mais caro contribuiria para a redução do endividamento.

Financiamentos de automóveis e imobiliários

O saldo de crédito para pessoa física em recursos livres destinado à aquisição de veículos caiu 12,7% em 2015, fechando em R$ 160,7 bilhões, menor valor registrado nos últimos dois anos, reflexo do cenário econômico.

Já o crédito para imóveis fechou com saldo de quase R$ 500 bilhões, um crescimento de 15,7% sobre 2014 (essas operações referem-se aos recursos direcionados – pessoas físicas).

Em contrapartida, as concessões caíram em ambas as modalidades, na mesma comparação: em veículos, o resultado foi 16,6% menor que 2014, fechando o ano em R$ 7,1 bilhões; no setor imobiliário, o resultado foi 19,4% menor que 2014, fechando o ano em R$ 8,2 bilhões.

6,6%
Crescimento do saldo das operações de crédito total registrado no ano

Taxa de inadimplência e endividamento

A inadimplência cresceu ao longo de 2015 em todas as modalidades e segmentos, em diferentes proporções. A taxa geral saiu de 2,7% em 2014 para 3,4%; a de pessoa física, de 3,7% para 4,2%; e a de pessoa jurídica, de 1,9% para 2,6%.

A inadimplência em operações com recursos livres subiu 1 ponto percentual, fechando em 5,3% em dezembro. Já com recursos direcionados, o aumento foi de 0,4 ponto percentual, alcançando 1,4% também em relação ao ano anterior.

Os atrasos (entre 15 e 90 dias) aumentaram de 3,3% para 4,0%, sendo que os de pessoa física cresceram de 5,0% para 5,7% e os de pessoa jurídica, de 1,9% para 2,6%.


Fonte: Banco Central do Brasil.


Os principais motivos para o aumento da inadimplência são a elevação da taxa de juros, que dificultou renegociações, e as pressões inflacionárias que reduziram o poder de compra. Para a inadimplência de pessoa física, o aumento do desemprego é o fator mais relevante. Contudo, mesmo com o crescimento da inadimplência, o endividamento das famílias apresentou certa melhora: o indicador, relativo à renda acumulada dos últimos 12 meses, caiu de 28,8% na média de 2015 para 27,1% na média do ano anterior, considerando o endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional exceto crédito habitacional. Se incluído o comprometimento com crédito habitacional, a relação passa para 45,9% em 2015, relativamente estável em relação a 2014 (45,7%).

Transações com cartões

As transações com cartões (crédito e débito) somaram recursos de R$ 1.065 bilhão em 2015, o que representa elevação de 10,5% em relação ao valor de 2014, sendo cerca de 60% com cartão de crédito. O número de transações em 2015 chegou a 11,4 bilhões, crescimento de 11% em relação a 2014.

Captações

Os bancos continuam perseguindo o alongamento de suas captações para fazer frente ao crescimento das operações de financiamento com prazos mais dilatados, como o crédito imobiliário e o financiamento de projetos e investimentos.

As captações priorizadas foram Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras Financeiras (LF), em detrimento de outras como depósitos a prazo e de poupança, que, além de prazos menores, possuem também recolhimento compulsório.

O total de recursos de aceites e emissão de títulos, que inclui LF, LCI e LCA, captados pelos bancos totalizou R$ 901 bilhões em 2015, significando um crescimento anual de 24,0%. Por outro lado, as captações de depósitos dos bancos em 2015 totalizaram R$ 2,091 trilhões em depósitos, representando elevação anual de apenas 5,8%. O aumento se deve principalmente ao crescimento de depósitos à vista (+29,0%).

Do total captado em depósitos, R$ 934 bilhões foram resultado de depósitos a prazo, o que representou alta de 3,6% em relação ao R$ 902 bilhões de 2014.

Destacou-se no ano o quadro conjuntural adverso para as captações de recursos de poupança, com o aumento da taxa básica de juros e da inflação. A poupança encerrou com saques líquidos de R$ 53,6 bilhões, recorde para os últimos 20 anos e muito superior à captação líquida de R$ 24 bilhões em 2014. Dessa forma, o patrimônio da poupança terminou o ano com R$ 656,6 bilhões, sendo que no período anterior era de R$ 662,7 bilhões.


Volume de captações (R$ bi)

Fonte: Banco Central do Brasil.

Resultado da intermediação financeira

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central – abril de 2016, o aumento da inadimplência acarretou crescimento das despesas com provisões. Assim, o resultado líquido de intermediação financeira atingiu R$ 163,1 bilhões em dezembro, redução de 9,8% no semestre, apresentando queda tanto nos públicos como nos privados, com tendência de baixa para os próximos períodos.


Margem de crédito, por controle acionário Acumulado nos últimos 12 meses

Fonte: Banco Central do Brasil.

Distribuição do Valor Adicionado

GRI G4-EC1

1. APURAÇÃO DO VALOR ADICIONADO dez/12 Part. % dez/13 Part. % dez/14 Part. % dez/15 Part. %
1.1.1. Resultado bruto da interm. financeira
165.315 93,2 157.997 79,2 177.295 81,2 137.121 69,8
1.1.2. Receitas de Prestação de Serviços
99.109 55,9 111.601 56,0 122.729 56,2 126.416 64,4
1.1.3. Outras Receitas e Despesas
-70.491 -39,8 -54.914 -27,5 -65.307 -29,9 -61.294 -31,2
1.2. Valor Adicionado Bruto 193.934 109,4 214.685 107,7 234.717 107,5 202.242 103,0
1.2.1 Depreciação e Amortização
-18.665 -10,5 -17.956 -9,0 -20.068 -9,2 -19.381 -9,9
1.2.1. Resultado da partic Contr/Coligadas
2.047 1,2 2.653 1,3 3.706 1,7 13.499 6,9
VALOR ADICIONADO LÍQUIDO A DISTRIBUIR 177.315 100,0 199.382 100,0 218.355 100,0 196.360 100,0
2. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO dez/12 Part. % dez/13 Part. % dez/14 Part. % dez/15 Part. %
VALOR ADICIONADO LÍQUIDO A DISTRIBUIR 177.315 100,0 199.382 100,0 218.355 100,0 196.360 100,0
2.1. Pessoal 76.544 43,2 83.985 42,1 91.064 41,7 99.522 50,7
2.1.1. Proventos
53.733 30,3 58.957 29,6 63.926 29,3 70.941 36,1
2.1.2. Benefícios
13.520 7,6 14.834 7,4 16.085 7,4 17.429 8,9
2.1.3. FGTS
3.551 2,0 3.896 2,0 4.224 1,9 4.590 2,3
2.1.4. Outros
5.740 3,2 6.298 3,2 6.829 3,1 6.562 3,3
2.2. Impostos, Taxas e Contribuições 40.827 23,0 46.450 23,3 52.173 23,9 2.717 1,4
2.2.1. Federal
37.227 21,0 42.354 21,2 47.572 21,8 28.291 14,4
2.2.2. Estadual
89 0,1 102 0,1 114 0,1 -471 -0,2
2.2.3. Municipal
3.511 2,0 3.995 2,0 4.487 2,1 -25.103 -12,8
2.3. Remuneração de Capital de Terceiros 5.347 3,0 6.341 3,2 6.957 3,2 7.357 3,7
2.3.1. Aluguéis e Outros
5.347 3,0 6.341 3,2 6.957 3,2 7.357 3,7
2.4. Remuneração de Capital Próprio 54.597 30,8 62.605 31,4 68.161 31,2 86.764 44,2
2.4.1. Juros Sobre Capital e Dividendos
16.785 9,5 19.247 9,7 20.955 9,6 32.886 16,7
2.4.2. Participações dos Não Controladores nos Lucros Retidos
1.433 0,8 1.644 0,8 1.790 0,8 2.455 1,3
2.4.3. Lucros Retidos
35.746 20,2 40.988 20,6 44.626 20,4 51.142 26,0
2.4.4. Outros
633 0,4 726 0,4 791 0,4 281 0,1
AMOSTRAGEM 157 bancos   156 bancos   150 bancos   150 bancos  

Fonte: FEBRABAN.

Resiliência do setor bancário

Índice de Basileia

GRI G4-2

Os Acordos de Basileia, ou Basileia III, são mecanismos internacionais de regulação e fortalecimento do sistema financeiro mundial. Criado pelo Fórum de Estabilidade Financeira (Financial Stability Board, FSB) e o G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, funcionam como uma estrutura de controle e acompanhamento do sistema financeiro global após a crise financeira de 2008 e 2009.

O objetivo de Basileia III é garantir que os bancos e demais instituições do sistema financeiro avancem na consolidação de modelos capazes de absorver choques que coloquem as economias em risco. Entre os pontos acordados está a avaliação de riscos operacionais e de crédito e o fortalecimento das regulamentações mundiais sobre capital e liquidez, garantindo um setor bancário mais resiliente.

Cada país deve adotar suas medidas de aplicação. No Brasil, a regulação do Banco Central para Basileia III foi publicada em 1º de outubro de 2013 e acompanha o cronograma internacional de conclusão previsto para até 1º de janeiro de 2022.

O sistema financeiro brasileiro é considerado um dos mais sólidos e estáveis do mundo. Na aplicação das 11 exigências do acordo, o País já atende nove, e uma delas não se aplica à realidade nacional. Essa atuação garantiu ao Brasil a nota máxima do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

A FEBRABAN acompanha o desempenho dos bancos associados na introdução das normas e atua no desenvolvimento de ferramentas e padrões que permitam otimizar recursos financeiros, operacionais e humanos do sistema bancário nacional.

No Brasil, o processo de implementação dos normativos de Basileia III está na metade: foi iniciado em janeiro de 2013 e se estenderá até janeiro de 2019. As regras finais estão todas publicadas em nível internacional e todos os países signatários dos acordos de Basileia, incluindo o Brasil, estão em estágios avançados de implementação. No Brasil, já temos mais de um ano de vigência das regras de Capital e, em outubro de 2015, passaram a vigorar o indicador de Liquidez de Curto Prazo, o LCR, e o indicador de alavancagem. Ainda em 2015, o Banco Central do Brasil também publicou os normativos para o tratamento das instituições sistemicamente importantes em nível doméstico.

O resultado deste processo é bastante positivo e a adoção das novas regras está confirmando para o mundo a boa situação de capital, liquidez e alavancagem dos bancos brasileiros, em comparação aos internacionais. O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros está em 16% dos ativos ponderados pelo risco e nosso indicador de Capital Principal, de maior qualidade, em 11,8%. Em termos de alavancagem, medida pelo nível de Capital de nível 1 sobre os Ativos, como base na metodologia do novo indicador de Basileia III, o índice geral do sistema bancário brasileiro é de 7,1%, ante um mínimo de 3% requerido por Basileia. Os níveis de liquidez dos bancos brasileiros superam largamente suas obrigações de curto prazo, preservando o país contra cenários de estresse. O Índice de Liquidez de Curto Prazo do sistema bancário, baseado no LCR de Basileia III, é de 187%, bem acima de 100%, o nível mínimo a ser requerido em 2019.

O ano de 2015, assim como os anteriores, foi bem intenso no cenário internacional e o ano de 2016 também promete grandes discussões. Estamos vivendo atualmente uma nova onda regulatória, com normativos ainda em fase de audiência pública, envolvendo modificações nos padrões para mensuração dos riscos de crédito, operacional e de mercado, entre outros importantes pontos.


Evolução do Índice de Basileia

Fonte: Banco Central do Brasil.

Redução de riscos sistêmicos

GRI G4-2

Os bancos brasileiros mantêm estratégias conservadoras em termos de risco das carteiras de crédito e vêm aprimorando cada vez mais o processo de gestão. A solidez do sistema é notada pela estabilidade dos elevados níveis de capitalização e pelos resultados da simulação da plena implementação de Basileia III e dos testes de estresse.

O sistema bancário brasileiro apresentou adequada capacidade de suportar efeitos de choques decorrentes de cenários adversos, bem como de mudanças abruptas nas taxas de juros e de câmbio, na inadimplência ou nos preços dos imóveis residenciais. Mesmo diante de um ambiente de desaquecimento econômico e elevação dos juros, a inadimplência não apresentou aumento significativo. As provisões seguem em nível significativamente superior à inadimplência, com índice de cobertura de 170%, o que mostra a resistência do sistema de crédito.